Na última quinta-feira (7), uma operação de Auditores-Fiscais do Trabalho resgatou trabalhadores em situação análoga à escravidão na sede da igreja Shekinah House Church, localizada em Paço do Lumiar. Apesar da intervenção estatal, um grupo de mais de 40 pessoas levadas para um alojamento montado pela Secretaria de Direitos Humanos do Maranhão manifestou o desejo de retornar ao local original, alegando insatisfação com as condições do abrigo provisório.
O caso está diretamente ligado ao pastor David Gonçalves Silva, preso em 17 de abril sob suspeita de crimes graves, incluindo estupro de vulnerável, estelionato, posse sexual mediante fraude e associação criminosa. Segundo as investigações, os fiéis eram submetidos a castigos físicos conhecidos como "readas", privação de sono e monitoramento constante por câmeras, inclusive nos banhos. Uma das trabalhadoras resgatadas criticou a transferência para o novo alojamento:
"Nós fomos expulsos da nossa casa. Nos retiraram dali como cachorros e de primeira mão, nos colocaram no Castelinho, um lugar totalmente desprezado, as janelas quebradas, os quartos sem colchão."
De acordo com o secretário adjunto de Direitos Humanos, Eudes Bezerra, muitos dos envolvidos não se reconhecem na condição de pessoas resgatadas e o Estado não pode obrigá-los a permanecer no acolhimento. O Ministério Público do Trabalho (MPT) iniciou uma triagem para garantir o acesso ao seguro-desemprego por três meses. A investigação aponta que a igreja funcionava como um espaço de serviços terapêuticos sem regularização, onde as vítimas eram chamadas de "piões" e os dormitórios eram denominados "baias".



