Um relatório interno do Banco de Brasília (BRB) revelou graves suspeitas de irregularidades em contratos firmados com o Banco Master, envolvendo operações bilionárias de crédito com a empresa Tirreno. O documento aponta que contratos no valor de R$ 6,3 bilhões tiveram firma reconhecida em cartório no dia 13 de maio de 2025, apenas dois dias antes de serem apresentados ao BRB e 19 dias após a última operação entre as empresas, levantando dúvidas sobre a formalização e validade dos documentos.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, as carteiras de crédito consignado foram adquiridas pelo Banco Master junto à Tirreno e revendidas ao BRB por R$ 11,5 bilhões. O relatório destaca a velocidade atípica das transações; em um dos casos, R$ 143,6 milhões em créditos foram comprados no dia 4 de março, durante o Carnaval, e revendidos no dia seguinte por R$ 251,2 milhões. Além disso, os ativos foram classificados como créditos sem lastro, indicando a ausência de garantias financeiras nas negociações.
A falta de transparência também foi citada, com a omissão da participação da Tirreno nas tratativas iniciais. O desdobramento do caso resultou na interrupção da compra de 58% do Banco Master pelo BRB, operação barrada pelo Banco Central. A autoridade monetária determinou a liquidação do banco na mesma data da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto as investigações prosseguem para apurar o montante total de ativos, estimado em cerca de R$ 12 bilhões.



