Em uma decisão de alto impacto institucional, a Procuradoria-Geral da República (PGR) determinou o arquivamento do pedido da oposição que visava o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria da investigação que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. A determinação foi assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, no último dia 15 de janeiro.
A representação havia sido protocolada por deputados federais, que sustentavam haver possível impedimento ou suspeição do ministro para conduzir o caso. Entre os parlamentares que assinaram a solicitação estavam Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC). O cerne da acusação residia no fato de que Toffoli teria participado de uma viagem a Lima, no Peru, em novembro de 2025, na mesma aeronave utilizada pelo advogado Augusto Arruda Botelho. Este advogado é defensor de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance do Banco Master e investigado no inquérito, o que, segundo os deputados, poderia comprometer a imparcialidade do relator.
Ao decidir pelo arquivamento, Gonet justificou que os fatos relatados já estão sob análise no âmbito do próprio STF, com acompanhamento regular da Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral afirmou:
“O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República. Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento.”Apesar do entendimento da PGR de que não caberia nova atuação administrativa, a condução da investigação segue sendo alvo de críticas no Congresso, com o senador Eduardo Girão (Novo-CE) tendo encaminhado uma nova representação à PGR, sustentando que as circunstâncias levantariam dúvidas sobre a imparcialidade do ministro.



