A degradação acelerada do conjunto arquitetônico de São Luís acende um alerta vermelho para a segurança pública e a preservação da história maranhense. Segundo dados da Defesa Civil do Maranhão, pelo menos 130 prédios antigos estão sendo monitorados atualmente, dos quais 79 apresentam risco crítico de desabamento. O problema se agrava durante o período chuvoso, ameaçando a vida de moradores e comerciantes que circulam pelo Centro, onde um casarão de mais de 200 anos já se transformou em ruínas.
A capital reúne mais de 5 mil casarões construídos entre os séculos XVIII e XIX, sendo que 1.400 integram o conjunto reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial. O major Carlos Veiga, subdiretor da Defesa Civil estadual, destaca que os principais perigos envolvem o colapso de sistemas de cobertura e fachadas. O cenário é complexo, pois o Iphan aponta que 90% dos imóveis pertencem a proprietários particulares. Para tentar reverter o abandono, o Ministério Público Federal (MPF) move 80 ações judiciais exigindo reparos, enfrentando obstáculos como:
- Ausência dos proprietários no país;
- Limitações financeiras;
- Rigor das normas técnicas exigidas para restauração.
“Um desmoronamento com pessoas morando na casa ao lado, no prédio ao lado, é risco de vida. Compromete a nossa vida”, afirma a técnica em enfermagem Roseane Santos. Em nota, o Governo do Estado e a Prefeitura de São Luís informaram que mantêm programas de revitalização, tendo restaurado 29 casarões nos últimos oito anos. O procurador-chefe do MPF no Maranhão, Alexandre Soares, ressalta que, além da responsabilidade dos donos, é preciso fomentar políticas de ocupação para preservar o espaço urbano.



