Na tradição cristã, os últimos dias de Jesus de Nazaré, da entrada em Jerusalém à crucificação, constituem o núcleo dramático da Semana Santa. Mas o que a historiografia contemporânea e as pesquisas sobre o chamado “Jesus histórico” têm a dizer sobre esses acontecimentos?
A chamada busca pelo “Jesus histórico” é um campo consolidado de investigação acadêmica que procura distinguir o personagem histórico da figura teológica construída pela fé. Trata-se de um esforço que utiliza ferramentas da História, Arqueologia, Sociologia e Antropologia para analisar evidências e reconstruir, tanto quanto possível, a trajetória de um pregador judeu na Palestina romana.
Os estudos recentes enfatizam que os últimos dias de Jesus só podem ser compreendidos dentro do contexto político e religioso da Judeia sob domínio romano. Jerusalém, especialmente durante a Páscoa judaica, era um espaço de tensão: peregrinos chegavam em massa, e as autoridades temiam revoltas. A entrada de Jesus em Jerusalém descrita nos evangelhos como um ato simbólico, é interpretada por muitos historiadores como um gesto de forte conotação política.



