Cerca de 500 indígenas de 14 povos do Maranhão estão em Brasília para participar da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). O evento, que ocorre próximo ao Eixo Monumental, reúne representantes de aproximadamente 120 etnias de todo o país sob o tema “O futuro não está à venda, a resposta somos nós”. A mobilização busca pressionar autoridades pela garantia de direitos e implementação de políticas públicas voltadas aos povos originários até a próxima sexta-feira.
A comitiva maranhense, composta por integrantes das regiões sul, centro-oeste e norte do estado, inclui os povos Guajajara, Capó, Canela, Gavião e Tricati. Segundo Fabrício Guajajara, coordenador das organizações indígenas da Amazônia Brasileira, a principal luta é contra o Marco Temporal, classificado como uma ameaça aos territórios. Outras lideranças, como Rosilene Guajajara, da Terra Indígena Caru, e Jacirene Guajajara, do território Arariboia, denunciam o avanço do desmatamento, da mineração ilegal e a persistência de assassinatos de lideranças e guardiões da floresta.
Além da agenda política no Congresso Nacional, o acampamento destaca a resistência cultural. Iracadju Ka’apor ressaltou que a Terra Indígena Alto Turiaçu, a maior do Maranhão, mantém 85% de sua floresta preservada e a totalidade da língua nativa. O evento também conta com a exposição de artesanatos em miçangas, como os produzidos por Dorilene Rodrigues Guajajara, da Associação das Mulheres Indígenas da Aldeia Juçaral, evidenciando a diversidade da produção maranhense.



