Em uma decisão de grande impacto político e jurídico, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) aprovou, por unanimidade, o pedido de intervenção estadual no município de Turilândia. A medida, determinada na manhã desta sexta-feira (23), é uma resposta direta às graves acusações de corrupção que envolvem a cúpula do Executivo e Legislativo municipal, suspeitos de desviar R$ 56 milhões dos recursos públicos. A intervenção visa restabelecer a normalidade institucional e garantir a prestação dos serviços públicos essenciais.
O cenário de crise se intensificou após o afastamento do prefeito Paulo Curió (União Brasil) e da vice-prefeita Tânya Mendes (PRD). Desde 26 de dezembro do ano passado, a gestão interina estava nas mãos do presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo Diniz, conhecido como “Pelego” (União Brasil), que cumpria prisão domiciliar por ser um dos investigados no esquema. O Ministério Público do Maranhão (MP-MA), que fez a representação, apontou que as irregularidades eram graves e contínuas desde 2021, incluindo desvio de recursos, fraudes em contratos e a atuação de uma organização criminosa dentro da estrutura administrativa.
O TJ-MA determinou que o governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), edite o decreto de intervenção no prazo máximo de 15 dias. O interventor nomeado, que deve ter reputação ilibada e notório saber em gestão pública, terá um mandato inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação. O procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, ressaltou que a intervenção é uma “medida excepcionalíssima”, pois a administração pública de Turilândia foi “tomada por uma organização criminosa”.



