O Ministério das Relações Exteriores manifestou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a possível visita de Darren Beattie, assessor de Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pode configurar uma indevida ingerência externa nos assuntos internos do Brasil. O posicionamento foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, após a defesa de Bolsonaro solicitar autorização para o encontro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde o ex-presidente cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de 2022.
O chanceler Mauro Vieira destacou que a presença de um representante de Estado estrangeiro em reunião com um ex-mandatário detido, especialmente em ano eleitoral, gera desconforto diplomático. Em documento enviado à Corte, o ministro afirmou:
“Cumpre observar, por oportuno, que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”. O Itamaraty informou ainda que o pedido de visita não foi comunicado oficialmente ao ministério, tendo sido realizado diretamente pelos advogados de defesa.
A defesa de Bolsonaro pleiteia que o encontro ocorra no dia 17 de março, alegando que Beattie estará em São Paulo para um evento sobre minerais críticos. No entanto, o Itamaraty ressaltou pontos importantes sobre a situação do assessor no país:
- Não há confirmação de compromissos oficiais de Darren Beattie no Brasil até o momento;
- O pedido de visto original não mencionava encontros políticos ou visitas fora do objetivo oficial;
- A embaixada norte-americana solicitou reuniões técnicas que ainda não foram confirmadas oficialmente pelo governo brasileiro.



