O sistema de transporte público de São Luís amanheceu paralisado nesta sexta-feira (13), devido a uma nova greve dos rodoviários. A interrupção do serviço ocorre menos de dois meses após a última paralisação e afeta diretamente cerca de 3.000 trabalhadores da categoria e milhares de passageiros que dependem dos ônibus urbanos para trabalhar e cumprir compromissos essenciais. Sem os coletivos circulando, os usuários estão recorrendo a ônibus interurbanos e transportes por aplicativo, que registraram alta demanda e preços elevados.
O movimento foi motivado pelo descumprimento do acordo de reajuste salarial de 5,5% determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Segundo o Sindicato dos Rodoviários, os profissionais continuam recebendo o salário antigo de R$ 2.715,50, sem o acréscimo de R$ 151,52 referente ao aumento. Em resposta, a Prefeitura de São Luís informou que os subsídios estão em dia e liberou vouchers em aplicativos de transporte para minimizar os impactos, enquanto o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) alega que os valores repassados pelo município estão congelados desde janeiro de 2024.
Diante do impasse, o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) abriu um inquérito civil para investigar falhas na prestação do serviço e possíveis irregularidades na gestão do sistema, envolvendo consórcios como Central, Via SL e Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor Ltda. A situação agravou a rotina de usuários como a vendedora Maria José, que precisou trabalhar fora do terminal para garantir sua renda. Nos últimos seis anos, a capital maranhense já registrou ao menos dez paralisações no setor, evidenciando uma crise recorrente no transporte coletivo.



