A cidade de Buriticupu, no interior do Maranhão, vive um cenário crítico com o avanço de 33 voçorocas que ameaçam bairros inteiros e já causaram sete mortes registradas. Apesar de decisões judiciais intensificadas desde 2022, o município ainda não apresentou um plano de engenharia definitivo nem iniciou obras de contenção eficazes, deixando cerca de 360 famílias afetadas e centenas em situação de vulnerabilidade diante de crateras que chegam a 80 metros de profundidade.
Recentemente, a 1ª Promotoria de Justiça de Buriticupu ingressou com uma ação por improbidade administrativa contra o secretário de Infraestrutura, Lucas Rafael da Conceição Pereira. O Ministério Público aponta que o gestor tem se omitido em responder solicitações sobre obras executadas sem projetos técnicos ou contratos específicos. Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) também alertam para falhas graves em intervenções paliativas, como a ausência total de sistemas de drenagem e aterros que são levados pelas chuvas, agravando o risco de novos desmoronamentos.
O cenário habitacional também preocupa, com um conjunto de 89 casas que deveria ter sido entregue em julho de 2024 enfrentando abandono e deterioração. Embora o Governo Federal tenha destinado R$ 32,9 milhões para ações de defesa civil e moradia, apenas 27 unidades foram concluídas e nenhuma foi entregue até o momento. A prefeitura alega falta de recursos próprios e restrições nos repasses federais, enquanto os prazos judiciais para o isolamento das áreas de risco e o pagamento de aluguel social seguem sendo descumpridos pela gestão municipal.



