O município de Buriticupu, localizado a 415 km de São Luís, enfrenta uma crise geológica sem precedentes com o avanço de 33 voçorocas que já resultaram na morte de sete pessoas e na destruição de 83 residências ao longo de quatro décadas. O fenômeno, caracterizado por crateras que atingem 600 metros de extensão e 80 metros de profundidade, afeta diretamente 360 famílias, intensificando-se especialmente durante o período chuvoso devido à falta de infraestrutura de drenagem e ao crescimento urbano desordenado.
A gravidade da situação é evidenciada por acidentes recentes, como o do idoso Francisco Cavalcante, de 72 anos, resgatado com fraturas após cair em uma cratera, e o caso do policial militar aposentado José Ribamar Silveira, que caiu em um abismo de 80 metros em 2023. Segundo o professor Marcelino Farias, da UFMA, a ausência de um Plano Diretor e de sistemas de escoamento de água faz com que as enxurradas acelerem o processo erosivo, transformando ruas em rios que alimentam as encostas vulneráveis.
No âmbito administrativo e jurídico, o Ministério Público do Maranhão moveu uma Ação Civil Pública que resultou em determinações judiciais para o isolamento das áreas de risco e o pagamento regular do aluguel social de R$ 500. Entretanto, moradores relatam atrasos nos benefícios e abandono das obras de 89 casas populares financiadas pelo Governo Federal. Embora 27 unidades estejam prontas, elas seguem sem entrega oficial, enquanto o prazo para a prefeitura apresentar um plano de contenção expirou na última sexta-feira sem o envio do relatório.



