A entrega de moradias destinadas a famílias afetadas pelo avanço das voçorocas em Buriticupu, a 415 km de São Luís, enfrenta um atraso de quase dois anos. O conjunto Nova Buriti, projetado para abrigar quem perdeu residências para as erosões, deveria ter sido entregue em julho de 2024. No entanto, das 89 unidades previstas, apenas 27 foram concluídas e já apresentam sinais de infiltração, enquanto outras 33 seguem com as obras paralisadas.
Em 2023, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional liberou R$ 9.733.169,07 para ações no município, sendo que R$ 7.854.243,24 foram destinados especificamente à construção das casas. O cenário é agravado pela proximidade do novo residencial com as próprias erosões, situando-se a cerca de 600 metros das crateras. Segundo Isaías Cardoso Aguiar, presidente da Associação de Áreas Atingidas por Voçorocas, a negligência gera insegurança em quem depende do aluguel social de R$ 500, que sofre com constantes atrasos de pagamento pela prefeitura.
O problema das crateras gigantes em Buriticupu já dura quase 40 anos, contabilizando sete mortes e a destruição de 83 residências. Recentemente, a Justiça determinou que o município adote medidas emergenciais de sinalização e contenção, mas a gestão municipal apresentou recurso em março de 2025. Enquanto o processo tramita no Tribunal de Justiça do Maranhão, moradores como o universitário Jeferson dos Santos relatam um profundo sentimento de abandono diante da burocracia e do descaso do poder público.



