O aumento repentino no preço do óleo diesel em Balsas, no Sul do Maranhão, está elevando drasticamente os custos da produção de soja e preocupando agricultores da região do Mapitoba. Nesta semana, o valor do litro do combustível saltou de uma média de R$ 5,95 para R$ 7,96, representando um reajuste de 33,78%. O insumo é considerado vital para o funcionamento de máquinas agrícolas e para o escoamento da produção até o Porto do Itaqui, em São Luís, e o terminal da Ferrovia Norte-Sul, em Porto Franco.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja no Maranhão (Agrosoja-MA), José Carlos Oliveira de Paula, o impacto foi imediato e inesperado, ocorrendo mesmo com a existência de estoques nas distribuidoras. Em resposta a essa escalada de preços, o Procon-MA ingressou com uma Ação Civil Pública contra distribuidoras por aumentos considerados injustificados. José Carlos destacou a gravidade da situação para o setor:
"O produtor não pode parar. Ele precisa colher, transportar e plantar. No fim, quem paga essa conta é o consumidor. Com isso, a rentabilidade do agricultor diminui ainda mais."
O cenário é agravado pela safra atual ser considerada a mais desafiadora dos últimos dez anos, marcada por atrasos climáticos e queda de 10% a 15% na produtividade em relação ao ciclo anterior. Além da alta do diesel, os produtores enfrentam a desvalorização da soja, que atingiu R$ 100 por saca de 60 quilos, o menor valor em cinco anos. Enquanto isso, a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) informou que segue monitorando o mercado internacional e investindo na ampliação da capacidade de armazenagem para mitigar riscos logísticos no estado.


